Depressão e Deficiência: quando a luta invisível pesa mais do que a limitação física

A deficiência que todos veem e a dor que poucos percebem

Quando falamos sobre deficiência, muitas pessoas pensam apenas nas barreiras físicas, na falta de acessibilidade ou nas dificuldades de comunicação. Mas existe uma realidade que nem sempre aparece: a saúde mental.

Pessoas com deficiência convivem frequentemente com exclusão, preconceito, isolamento social e falta de oportunidades. Essas situações podem aumentar o risco de ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais.

Escrevo este texto como alguém que convive com a depressão há muitos anos.

Sou surdo, usuário de implante coclear bilateral, e ao longo da vida enfrentei situações de exclusão, bullying, dificuldades de comunicação e momentos em que me senti invisível para a sociedade.

A depressão não surgiu por causa da surdez em si. Ela foi construída por experiências dolorosas, pela falta de compreensão de muitas pessoas e por desafios emocionais acumulados ao longo da vida.

A relação entre deficiência e saúde mental

Diversos estudos mostram que pessoas com deficiência podem apresentar maior vulnerabilidade a problemas de saúde mental devido a fatores como:

  • Exclusão social;
  • Barreiras de comunicação;
  • Discriminação;
  • Menores oportunidades de trabalho;
  • Solidão e isolamento;
  • Falta de acessibilidade em serviços de saúde.

Isso não significa que toda pessoa com deficiência terá depressão. Significa apenas que muitas enfrentam desafios adicionais que podem afetar seu bem-estar emocional.

O preconceito também adoece

Muitas vezes, a maior dificuldade não é a deficiência.

É a forma como a sociedade reage a ela.

Quando uma pessoa é ignorada, subestimada ou tratada como incapaz durante anos, isso pode deixar marcas profundas na autoestima e na saúde emocional.

Buscar ajuda é um ato de coragem

Durante minha caminhada, encontrei apoio na terapia, no acompanhamento psiquiátrico, na fé, nos amigos, na atividade física e em pessoas que acreditaram em mim.

Ainda existem dias difíceis. Ainda existem desafios.

Mas aprendi que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É um passo importante para continuar seguindo em frente.

Uma mensagem para quem está passando por isso

Se você é uma pessoa com deficiência e enfrenta a depressão ou outros problemas emocionais, saiba que sua dor merece atenção e respeito.

Você não precisa enfrentar tudo sozinho.

Buscar apoio profissional, conversar com pessoas de confiança e cuidar da sua saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física.

“Sou surdo, convivo com a depressão há muitos anos e continuo acreditando que falar sobre saúde mental pode salvar vidas. Por isso compartilho minha história.”

Acessibilidade na Justiça Eleitoral: impressões de quem participou do encontro do TSE

No dia 29 de abril de 2026, tive a oportunidade de participar, em Brasília, do Encontro de Acessibilidade e Inclusão promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O convite foi recebido por meio do meu e-mail institucional dos Correios, o que tornou essa experiência ainda mais significativa. Participei como servidor público, pessoa surda, usuário de implante coclear bilateral, bilíngue em português e Libras, e profissional que atua há anos na área de inclusão e acessibilidade.

O objetivo do encontro foi reunir representantes da Justiça Eleitoral de todo o país, especialistas, coordenadores de acessibilidade, pessoas com deficiência e demais participantes para discutir avanços, desafios e perspectivas para uma Justiça Eleitoral mais acessível e inclusiva.

Desde o início, ficou evidente que o tema vem recebendo atenção crescente dentro da Justiça Eleitoral. Representantes de diversos Tribunais Regionais Eleitorais apresentaram projetos, compartilharam experiências e demonstraram como cada estado vem buscando ampliar a acessibilidade para os eleitores com deficiência.

Foi interessante perceber que muitos desafios são comuns em diferentes regiões do país. Ao mesmo tempo, também foi possível conhecer iniciativas criativas e soluções que vêm produzindo resultados positivos.

Embora o conteúdo tenha sido bastante rico, alguns aspectos da organização chamaram minha atenção.

O evento apresentou certa desorganização estrutural. Havia qté mesmo poucas cadeiras para a quantidade de participantes presentes, fazendo com que muitas pessoas permanecessem em pé durante parte da programação. Considerando que o tema central do encontro era justamente acessibilidade e inclusão, esse foi um ponto que poderia ter recebido maior atenção.

Ao longo do dia, porém, a dinâmica foi melhorando e a programação da tarde transcorreu de forma mais organizada.

Os painéis abordaram diferentes aspectos da acessibilidade eleitoral. Foram discutidos desafios enfrentados por pessoas com deficiência, projetos desenvolvidos pelos tribunais regionais, iniciativas voltadas ao futuro das eleições e estratégias para ampliar a participação cidadã.

Um dos temas que mais me chamou a atenção foi a preocupação com pessoas com deficiência que demandam níveis mais elevados de apoio para exercer seus direitos. Essa discussão demonstra que a acessibilidade precisa ser pensada de forma ampla, contemplando diferentes realidades e necessidades.

Outro aspecto apresentado foi o uso de centrais de atendimento em Libras para apoiar eleitores surdos. A proposta prevê mecanismos que permitam ao eleitor acessar atendimento especializado quando necessário.

Sem dúvida, trata-se de um avanço importante.

No entanto, as discussões também reforçaram algo que eu já observava há bastante tempo: ainda existe uma distância entre as soluções planejadas e a participação efetiva das próprias pessoas com deficiência na construção dessas soluções.

Durante os debates, tive a oportunidade de fazer perguntas relacionadas justamente a esse tema.

Questionei como as pessoas com deficiência estão participando da elaboração das políticas, projetos e iniciativas de acessibilidade. Afinal, existe uma diferença significativa entre desenvolver soluções para pessoas com deficiência e desenvolver soluções com pessoas com deficiência.

Essa reflexão foi reforçada em diferentes momentos do encontro.

Na minha visão, a inclusão verdadeira acontece quando as pessoas com deficiência participam desde a concepção das ideias, passando pelo planejamento, desenvolvimento, implementação e avaliação dos projetos. Não apenas quando são convidadas a testar algo já pronto.

A experiência de quem vive diariamente as barreiras é um conhecimento valioso que não pode ser ignorado.

Outro ponto que considero importante registrar refere-se à acessibilidade em Libras oferecida durante o próprio evento.

Como participante surdo, tive dificuldades significativas para acompanhar parte do conteúdo apresentado. A qualidade da interpretação em Libras comprometeu bastante o entendimento de diversos momentos da programação.

Essa percepção não foi apenas minha. Outros participantes surdos também relataram dificuldades semelhantes.

A acessibilidade não pode ser compreendida apenas como a presença formal de um recurso. A qualidade desse recurso é fundamental para garantir participação efetiva.

Quando a interpretação não atende adequadamente às necessidades do público, a consequência é a perda de informações, a redução da participação e, em muitos casos, a exclusão da pessoa surda dos debates.

Por isso, considero essencial que eventos futuros contem com critérios rigorosos na contratação e avaliação dos serviços de interpretação em Libras, garantindo profissionais devidamente qualificados para atuar em encontros dessa relevância.

Apesar das observações e críticas, saí do evento com uma avaliação positiva.

O Tribunal Superior Eleitoral tem demonstrado um compromisso crescente com a pauta da acessibilidade e da inclusão. A realização de um encontro nacional dedicado ao tema, reunindo representantes de todo o país, já representa um passo importante.

Ao mesmo tempo, acredito que o próximo avanço precisa ser ainda mais consistente: ampliar a participação direta das pessoas com deficiência na construção das soluções que impactam suas vidas.

A acessibilidade não deve ser construída apenas para as pessoas com deficiência.

Ela deve ser construída com elas.

Essa foi, sem dúvida, a principal reflexão que trouxe comigo dessa experiência em Brasília.

Surdez e música em Libras: inclusão não é espetáculo

Existe uma narrativa muito difundida de que a música em Libras representa o auge da inclusão. Vídeos viralizam. Plateias se emocionam. Comentários dizem: “Agora os surdos podem sentir a música.”

E eu fico feliz, sim, ao ver que a Libras ganha cada vez mais espaço e visibilidade. Isso é avanço. Isso é conquista.

Mas é importante dizer com clareza: muitas dessas falas partem de uma lógica específica: a lógica ouvinte.

Eu sou surdo. Nasci ouvinte e perdi a audição ao longo da vida. Sempre tive uma relação muito boa com música. Depois do implante coclear, estou retomando isso aos poucos, me adaptando novamente aos sons, às vozes, às melodias, reconhecendo experiências antigas de uma forma diferente.

Eu gosto de música.
Gosto de show.
Gosto de estar onde as coisas estão acontecendo.
Gosto de estar onde me sinto bem-vindo, onde percebo que o evento também foi pensado para mim.

Mas também gosto de teatro, museu, exposições, palestras, encontros culturais, debates. Eu gosto de cultura. Eu gosto de presença. E em todos esses espaços eu preciso de acessibilidade em Libras.

O ponto aqui não é desvalorizar a música em Libras. Ela é importante. Intérprete no palco é direito linguístico. A acessibilidade precisa existir. A questão é outra: a romantização.

Pesquisadores como Paddy Ladd defendem que a cultura surda deve ser compreendida a partir de sua própria perspectiva linguística e visual, não a partir de parâmetros ouvintes. Quando a experiência sonora é colocada como centro universal da cultura, estamos adotando um padrão que não contempla toda a diversidade humana.

A ideia de que “música é universal” costuma nascer da experiência de quem ouve.

Para muitas pessoas surdas, quando há envolvimento com música, essa experiência acontece de outra forma: pela vibração no corpo, pelo ritmo visual, pelo movimento, pela energia do ambiente, pelo contexto social do evento. Não é necessariamente a melodia que emociona. Não é a harmonia que define a experiência.

E para algumas pessoas surdas, a música simplesmente não ocupa esse lugar central. E está tudo bem.

A literatura na área de Estudos Surdos mostra que a vivência musical entre pessoas surdas é heterogênea. Não existe um padrão. Não existe uma regra. Não existe uma obrigação cultural de amar música.

O problema não é ter intérprete em show.
O problema é quando isso vira espetáculo.

Quando a interpretação é pensada mais para impactar o público ouvinte do que para garantir compreensão.
Quando há exagero performático para gerar emoção.
Quando a Libras vira atração paralela.

A Libras não é efeito especial.
É língua.

Acessibilidade não deve servir para produzir comoção. Deve servir para garantir participação.

Em 2021, eu participei de uma bate papo acessível em Libras, na foto a intérprete Sarah Melgaço.

O surdo não quer ser plateia de um show sobre sua própria língua.
Ele quer estar incluído de verdade.

Quer entender.
Quer participar.
Quer circular no espaço com autonomia.
Quer sentir que pertence.

A cultura surda é muito maior do que música. Ela envolve identidade, comunidade, língua, história, pertencimento.

Existe surdo que ama música? Sim.
Existe surdo músico? Sim.
Existe surdo que não se conecta com música? Também.

A experiência não é uniforme.

Eu gosto de música. Mas o que define minha vivência cultural não é a música em si.

É poder estar presente com acessibilidade real.

Acessibilidade é direito.
Os intérpretes precisam estar lá.
A Libras precisa ocupar espaço.

Mas é preciso consciência.

O público surdo não quer espetáculo e nem vulgarização da própria língua.
Quer inclusão.
Quer respeito.
Quer pertencimento.

Inclusão não é performance.
É responsabilidade.

Thiago Perné Santos
Especialista em Acessibilidade, Diversidade e Inclusão
23 de março de 2026


A inovação promovendo a inclusão de verdade

A tecnologia está cada vez mais presente na nossa rotina. Ela conecta pessoas, facilita tarefas e amplia possibilidades. Mas quando pensada com acessibilidade, ela vai além da praticidade: se torna uma grande aliada da inclusão.

Recursos tecnológicos acessíveis ajudam pessoas com diferentes necessidades, contextos e formas de interação a participarem da sociedade com mais autonomia, conforto e segurança.

E o mais importante: acessibilidade não beneficia apenas um grupo específico. Ela melhora a experiência de todos.

A tecnologia tem um papel fundamental na promoção da autonomia, da dignidade e da participação social das pessoas com deficiência. Quando pensada com acessibilidade desde o início, ela deixa de ser um “extra” e passa a ser um direito garantido.

Hoje, existem soluções tecnológicas que transformam a forma como pessoas com deficiência estudam, trabalham, se comunicam, se locomovem e acessam serviços.

Neste post, eu mostro pra vocês as principais tecnologias voltadas para diferentes tipos de deficiência e entender por que acessibilidade tecnológica é inclusão na prática.

Ferramentas como:

  • legendas automáticas em vídeos,
  • transcrição de voz em tempo real,
  • tradução de conteúdos em diferentes formatos,

tornam a comunicação mais clara, democrática e acessível.

Esses recursos ajudam em reuniões, atendimentos, estudos, consumo de conteúdo e até em situações do dia a dia, como pedir uma informação ou acompanhar uma apresentação.

Hoje, acessar informação não deveria ser um privilégio.
Ferramentas como leitores de tela, ajustes de contraste, aumento de fonte, descrição de imagens e navegação simplificada permitem que mais pessoas consumam conteúdos digitais com autonomia.

Quando sites, aplicativos e sistemas são pensados com acessibilidade desde o início, eles se tornam:

  • mais fáceis de usar,
  • mais intuitivos,
  • mais eficientes para todos os públicos.

A automação e os assistentes virtuais são exemplos claros de como a tecnologia pode apoiar a rotina:

  • controle de luzes e aparelhos por voz,
  • lembretes inteligentes,
  • organização de tarefas,
  • personalização de dispositivos conforme a necessidade de cada pessoa.

Tudo isso contribui para mais independência e qualidade de vida, seja em casa, no trabalho ou em espaços públicos.


Acessibilidade tecnológica é um compromisso coletivo

Organizações como a Organização Mundial da Saúde reforçam que grande parte da população mundial se beneficia diretamente de ambientes, produtos e serviços acessíveis — mesmo sem perceber.

Seguir boas práticas de acessibilidade digital, como as diretrizes da WCAG, não é apenas cumprir normas, mas demonstrar respeito à diversidade humana.

A tecnologia tem um enorme potencial de transformação social.
Quando usada com consciência e planejamento, ela:

  • reduz barreiras,
  • aproxima pessoas,
  • promove igualdade de oportunidades.

Mais do que inovação, acessibilidade é sobre pertencimento.
E uma tecnologia verdadeiramente moderna é aquela que não deixa ninguém de fora.

Sou pós-graduado em Inclusão e Acessibilidade e atuo com foco em acessibilidade, diversidade e inclusão, ajudando pessoas, empresas e instituições a compreenderem que inclusão não é apenas discurso, mas prática diária.

A tecnologia, quando bem aplicada, é uma grande aliada nesse processo — e meu trabalho é justamente apoiar essa construção de forma consciente, responsável e acessível.

Podem contar comigo para consultoria, palestras e orientações sobre acessibilidade, inclusão e uso da tecnologia como ferramenta de transformação social.

contato@blogdospernes.com.br

Adaptações Razoáveis: O Compromisso Real com a Inclusão nas Empresas

Falar sobre diversidade e inclusão não pode ser apenas um exercício de discurso. É preciso que as ações concretas acompanhem as intenções. Um dos pilares para garantir um ambiente de trabalho verdadeiramente inclusivo para pessoas com deficiência (PcD) são as adaptações razoáveis — medidas práticas e personalizadas que eliminam barreiras e garantem equidade de oportunidades.

O que são adaptações razoáveis?
Adaptações razoáveis são ajustes ou modificações no ambiente de trabalho, nas funções ou nos processos que permitam que pessoas com deficiência desempenhem suas atividades em igualdade de condições com os demais colaboradores. Elas devem ser adequadas às necessidades da pessoa e proporcionais às possibilidades da empresa.

O conceito é previsto na Lei Brasileira de Inclusão (LBI – Lei nº 13.146/2015) e também na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo Brasil com status de emenda constitucional.

Por que são importantes no ambiente corporativo?
Sem adaptações, muitas pessoas com deficiência continuam sendo excluídas de processos seletivos, promoções e experiências de desenvolvimento. Isso limita seu potencial e empobrece a diversidade da organização. Empresas que implementam adaptações razoáveis demonstram compromisso real com a inclusão e colhem benefícios como:

  • Equipes mais diversas e inovadoras
  • Aumento do engajamento e da produtividade
  • Fortalecimento da reputação institucional
  • Conformidade com a legislação

Exemplos práticos de adaptações razoáveis:

  • Flexibilização de horário para pessoas com mobilidade reduzida ou em reabilitação
  • Acessibilidade digital em sistemas internos e materiais de trabalho
  • Tradução em Libras para treinamentos e reuniões
  • Apoio de tecnologias assistivas (leitores de tela, softwares de comunicação alternativa, etc.)
  • Designação de intérprete ou apoio de guia-intérprete
  • Ajustes ergonômicos em mobiliário e equipamentos

O papel da liderança e da cultura organizacional:
A decisão de implementar adaptações razoáveis não deve ser vista como “favores” ou “custos extras”, mas como um investimento em equidade e dignidade. A cultura da inclusão começa no topo e se espalha por toda a organização. Líderes devem estar preparados para ouvir, acolher e agir — com empatia, escuta ativa e responsabilidade.

Barreiras comuns e como superá-las:
Infelizmente, ainda há mitos que dificultam a implementação das adaptações, como a ideia de que são sempre caras ou complexas. A verdade é que a maioria das adaptações custa pouco ou nada. A chave é o diálogo com a pessoa com deficiência para entender suas reais necessidades

Se você quer saber mais sobre como implementar adaptações razoáveis na sua empresa ou precisa de apoio especializado em acessibilidade, diversidade e inclusão, estou à disposição para conversar!

Thiago Perné Santos
Especialista em Acessibilidade, Diversidade e Inclusão
contato@blogdospernes.com.br

Palestra – Como a Libras Transforma a Experiência do Cliente

🚀 AGILE TRENDS GOV 2025
📍 Brasília | 📅 25 a 28 de agosto

É uma honra imensa anunciar que estarei no maior evento ágil do setor público do Brasil!


Vou falar sobre um tema que carrego com muita paixão e propósito:

👉 “Como a Libras Transforma a Experiência do Cliente”

A acessibilidade não pode ser um detalhe: ela precisa estar no centro das estratégias de atendimento, inovação e inclusão.

Representando os Correios, vou compartilhar vivências reais, desafios e soluções que mostram como a comunicação em Libras pode transformar a forma como lidamos com o público surdo — com empatia, respeito e eficiência.

🧩 Que tal colocar a inclusão como parte do seu mindset ágil?

Nos vemos lá!

Diário de um Surdo – 017: Ainda falta escuta

E no meio de tanta correria, o silêncio tenha falado mais alto do que eu, e tenho me afastado, ficando calado e distante. Afinal o cansaço bate.
Mas hoje, volto aqui. Porque tem coisa que não dá pra engolir calado.

A gente comemorou 23 anos da Língua Brasileira de Sinais, na última semana, dia 22/04. Sim, comemorou. Mas será que tem tanto assim pra comemorar?

Não me entenda mal: reconhecer Libras como língua oficial foi um passo gigante. Mas e o resto do caminho? Porque, sinceramente, ainda falta escuta. Ainda falta empatia. Ainda falta humanidade.

Ser surdo, hoje, no Brasil, ainda é viver entre paredes invisíveis. Em filas onde ninguém sabe se comunicar. Em atendimentos que não atendem. Em espaços que não te enxergam. E isso não é só falta de estrutura. É falta de vontade. De consciência. De responsabilidade.

E, pra ser bem direto: cansa. Cansa demais. Porque não é só uma luta por acessibilidade, por inclusão. É uma luta contra a indiferença. Contra a burocracia. Contra o descaso.

Às vezes, a gente sente que as pessoas ganham a gente pelo cansaço. E isso dói. Porque a luta é diária, é pesada — principalmente dentro dos grandes ambientes de trabalho, onde tudo depende de alguém “lá de cima” comprar a ideia. E se não tem alguém que encabece, a ideia morre. Não por falta de valor. Mas por falta de apoio. De coragem. De visão.

E hoje, eu confesso: estou num estado triste. Decepcionado.
É um sentimento pesado que tenho carregado no peito. Porque por mais que eu lute, por mais que eu tente construir pontes, parece que elas desabam antes mesmo de alguém atravessar.

E mesmo assim, eu sigo. Porque acredito. Porque, mesmo cansado, eu sei que tem alguém precisando de um gesto, de uma palavra, de uma mudança — por menor que seja.

Quando falo de responsabilidade, falo de verdade. Falo de ESG com E maiúsculo de empatia. Falo de empresas que não só assinam compromissos, mas cumprem. De serviços públicos que acolhem, que adaptam, que se importam. Porque inclusão não é favor. É direito.

E se tem uma coisa que eu aprendi nesses anos de caminhada é que a mudança começa quando alguém decide não se calar. Hoje, eu escrevo porque me recuso a aceitar que o tempo passe e nada mude. Porque a Libras merece mais do que homenagens uma vez por ano. Ela merece presença. Merece política. Merece gente comprometida com gente.

E se você leu até aqui, fica meu convite: escute. Não com os ouvidos, mas com o coração. Porque ser surdo nunca foi sinônimo de silêncio. A surdez fala. A questão é: você está disposto a ouvir?

Leia também: O som e o silêncio


Tecnologia que Transforma Vidas: O Teclado Controlado Pela Mente

Gente, hoje eu quero compartilhar com vocês algo super legal e inovador que acabei de descobrir! Já imaginou um teclado que você controla só com a mente? Pois é, isso não é ficção científica, é uma realidade!

Imagem: Getty Images/Reprodução

A Allianz Trade e a Inclusive Brains criaram uma tecnologia incrível chamada Prometheus BCI que usa Inteligência Artificial para permitir que pessoas com deficiências motoras ou cognitivas interajam com dispositivos apenas com o poder do pensamento. E o melhor de tudo: eles estão dando um passo ainda maior com o desenvolvimento de um teclado controlado pela mente. Eu achei isso tão incrível que não poderia deixar de contar para vocês!

Um Passo Maior para a Inclusão Digital e Social

Esse teclado controlado pela mente pode mudar a vida de muita gente. Eu estava pensando aqui: quantas pessoas não têm acesso à tecnologia ou ficam isoladas justamente por não conseguirem usar um teclado normal? É muito emocionante ver que essa inovação vai ajudar essas pessoas a se comunicarem novamente, acessarem a internet e até mesmo encontrar novas oportunidades no mercado de trabalho. Sabe aquela ideia de “as máquinas devem se adaptar ao usuário e não o contrário”? Pois é, eles estão levando isso ao pé da letra. O Prometheus BCI usa IA para personalizar tudo de acordo com as necessidades e habilidades de cada pessoa. Isso é muito mais do que um simples teclado – é uma verdadeira revolução na acessibilidade!

O Impacto da Tecnologia: Da Mente para a Política

E se você acha que isso já é impressionante, olha só o que mais essa tecnologia conseguiu fazer: ela foi usada para escrever e enviar uma emenda no Parlamento Francês, tudo apenas com o poder da mente! Sem teclado, mouse ou comandos de voz. Eu realmente fiquei de boca aberta quando soube disso. Isso não só mostra a incrível capacidade dessa tecnologia, mas também como ela pode transformar não só a vida de quem tem deficiência, mas de toda a sociedade. Imagina só o impacto de uma ferramenta como essa em outras áreas, como educação e política!

O Futuro da Tecnologia Inclusiva

Agora, o mais legal é que a Allianz Trade e a Inclusive Brains não vão parar por aí. Elas estão decidindo abrir o código do Prometheus BCI para que desenvolvedores do mundo todo possam colaborar e melhorar ainda mais essa tecnologia. Isso é o tipo de coisa que me faz acreditar que estamos no caminho certo para um futuro mais inclusivo e acessível para todo mundo. Como Florence Lecoutre, do Grupo Allianz Trade, disse: “A verdadeira tecnologia inclusiva não deve ter discriminação”. E é isso mesmo! O que mais me impressiona é a ideia de que todos podemos contribuir para esse avanço.

Eu estou realmente empolgado com tudo isso. Essa tecnologia não vai apenas mudar vidas de pessoas com deficiência, mas também vai abrir muitas portas para um mundo mais acessível e justo. A inovação está aqui, e eu acredito que ela tem o poder de transformar muitas realidades.

Contato para Imprensa:Race Comunicação

A importância da Inteligência Artificial na vida das pessoas com deficiência

A Inteligência Artificial (IA) tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento de ferramentas e soluções que auxiliam pessoas com deficiência, melhorando a qualidade de vida e proporcionando maior autonomia. Essas ferramentas estão sendo constantemente aprimoradas, com o uso de algoritmos mais avançados, aprendizado de máquina e visão computacional, permitindo que a IA se adapte de forma mais eficaz às necessidades individuais dos usuários com deficiência. A acessibilidade digital e física permite que todos tenham mais autonomia e participação na sociedade.

Para incentivar o aprendizado, a comunicação e a expressão de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) criaram jogos virtuais que utilizam recursos sensoriais como a visão, a percepção do som e o toque. Junto a isso, um sistema de Inteligência Artificial capta tudo o que a criança faz no computador durante os jogos, a fim de analisar seu desempenho. O projeto atende crianças de 2 a 13 anos no campus da Universidade, em Volta Redonda (no sul-fluminense), e conta com o apoio de fonoaudiólogos, educadores e psicopedagogos.

A “Dorina IA” é outra ferramenta de Inteligência Artificial inovadora, desenvolvida para ajudar pessoas com deficiência visual, principalmente no que se refere à leitura e compreensão de textos e imagens. Foi criada para tornar o conteúdo digital mais acessível e inclusivo para indivíduos cegos ou com baixa visão, proporcionando maior acesso a informações, de uma forma autônoma e eficiente.

A “Be My Eyes” também é uma ferramenta poderosa que utiliza IA e uma rede de voluntários para ajudar pessoas com deficiência visual a realizar tarefas cotidianas. A plataforma combina a interação entre pessoas e a tecnologia de reconhecimento visual para oferecer suporte em tempo real. Já existe, inclusive, uma grande comunidade de voluntários dispostos a ajudar, com falantes de diferentes idiomas, o que torna o “Be My Eyes” bem acessível. Quando uma pessoa com deficiência visual precisa de assistência, pode abrir o aplicativo e fazer uma solicitação de ajuda.

“O usuário faz a solicitação por meio de uma chamada de vídeo ao vivo. O voluntário vê, então, o ambiente do usuário em tempo real por meio da câmera do smartphone, oferecendo a partir daí assistência visual para identificar objetos, ler rótulos, navegar em ambientes e até interpretar imagens ou documentos. É maravilhoso! A combinação de assistentes humanos e IA é uma solução rápida para quem tem deficiência visual. Ajuda muito nas tarefas cotidianas, que seriam desafiadoras sem assistência”, comenta o Defensor Público Federal, André Naves, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social.

Em 2020, o “Be My Eyes” passou a integrar um assistente virtual baseado em IA chamado “Be My Eyes AI”, que funciona como uma alternativa automatizada. Ao invés de ser conectado a um voluntário, o usuário pode optar por ser atendido pela IA, que oferece respostas baseadas no reconhecimento de objetos e imagens utilizando visão computacional e aprendizado de máquina.

Além dessas, diversos outros recursos que utilizam IA vêm ajudando os PcDs a terem maior autonomia no dia a dia. Algumas das principais são:

– Leitores de tela – JAWS (Job Access With Speech) e NVDA (NonVisual Desktop Access): Os leitores de tela convertem texto digital em fala ou Braille, permitindo que os usuários naveguem por websites, aplicativos e documentos. A IA melhora essas ferramentas, tornando-as mais precisas e rápidas na identificação e interpretação de conteúdo visual, como imagens e tabelas.

– Reconhecimento de voz – Dragon NaturallySpeaking e assistentes virtuais como Google Assistant e Siri: Permitem que pessoas com deficiência motora ou dificuldades de digitação interajam com dispositivos por meio de comandos de voz. A IA de reconhecimento de fala facilita a transcrição de texto, o controle de dispositivos e até a realização de tarefas cotidianas, como enviar mensagens ou fazer chamadas.

– Tradução automática de Linguagem de Sinais – SignAll e Enable Talk: Traduzem linguagem de sinais em texto ou fala, facilitando a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes. E a IA pode melhorar a precisão das traduções, tornando-as mais naturais e contextuais.

– Sistemas de Acessibilidade para Deficientes Auditivos – Otter.ai e Google Live Transcribe: Ferramentas de transcrição em tempo real que utilizam IA para converter fala em texto instantaneamente, permitindo que pessoas surdas ou com deficiência auditiva participem de conversas, reuniões e apresentações.

– Exoesqueletos e robôs assistivos – Exemplos: ReWalk e Ekso Bionics: Dispositivos robóticos movidos por IA ajudam pessoas com deficiência motora a caminhar ou realizar movimentos que não conseguiriam de outra forma. Eles detectam os movimentos do usuário e os ajudam a executar movimentos naturais, melhorando a mobilidade e a qualidade de vida.

– Tecnologias de IA para Deficiência Cognitiva – CogniFit e BrainHQ: Ferramentas baseadas em IA já são usadas para treinar habilidades cognitivas em pessoas com deficiência intelectual ou distúrbios neurológicos. Esses aplicativos oferecem exercícios de memória, atenção e raciocínio, adaptando-se ao progresso e dificuldades do usuário.

“Ao oferecer soluções que desenvolvem o aprendizado, melhoram a autonomia e a integração social de pessoas com deficiência, a Inteligência Artificial está tornando o mundo mais acessível. Cumpre um papel fundamental na criação de uma sociedade mais inclusiva e justa para todos. E está quebrando barreiras, tornando possível uma participação mais plena e independente das PcDs em todos os aspectos da vida cotidiana. Esperamos que as ferramentas de IA continuem evoluindo, oferecendo mais e mais oportunidades para que todos, independentemente de suas limitações, possam participar ativamente da vida em sociedade”, conclui o Defensor Público André Naves”.

Mais informações:

Assessoria de imprensa do Defensor Público Federal André Naves

Ex-Libris Comunicação Integrada

Hand Talk lança glossário de termos de Customer Success em Libras


 

O Brasil está na 49ª posição no Ranking de Qualidade de Vida Digital (DQL) da empresa de segurança e privacidade cibernética Surfshark, ficando em 76º lugar em acessibilidade.

São Paulo, novembro de 2024 – De acordo com a última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o Brasil tem 18,6 milhões de pessoas com deficiência. O atendimento ao consumidor deve ser inclusivo para garantir que todas as pessoas, independentemente de suas origens ou características, se sintam valorizadas e atendidas. Dessa forma, a Hand Talk, startup pioneira no uso de inteligência artificial para acessibilidade digital, desenvolveu um Glossário de Customer Success em Libras (Língua Brasileira de Sinais). O material inclui uma playlist de vídeos com os termos mais utilizados na área traduzidos do português e inglês para Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ao todo, são 17 vídeos de curta duração, que traduzem termos como playbook, onboarding, renovação, expansão, sprint review, entre outros.
 

Muito mais que atuar com pós-venda, o principal objetivo do Customer Success (CS) é que seu cliente alcance o sucesso com a solução e/ou serviço das empresas. Um dos fatores mais importantes que devem ser considerados é o consumidor: seja em operações B2B, B2C ou B2B2C, as pessoas estão por toda parte, trazendo relevância e impulsionando o sucesso do negócio. 
 

“Você já vivenciou um momento em que sentiu que estavam te excluindo de uma conversa, uma ação, um evento ou algo do tipo? Já participou de um papo em que alguém falava um idioma diferente do seu ou em que havia tantos termos técnicos e específicos que você não conseguia acompanhar a discussão? Já pensou um cliente em potencial ter esse sentimento de exclusão ao pensar na sua marca, entrar na sua loja, acessar o seu site, precisar de alguma ajuda e não encontrar? Esses são só alguns exemplos que demonstram a importância de valorizarmos e priorizarmos oferecer um atendimento inclusivo ao cliente“, declara Ronaldo Tenório, CEO da Hand Talk.

Os assuntos de equidade e diversidade estão ganhando cada vez mais espaço dentro das corporações, especialmente no contexto do ecossistema ESG (Environmental, Social e Governance). Para Sueidy Araujo, Gerente de Sucesso do Cliente da Hand Talk, o profissional de Customer Success que se atualiza e se engaja nessa tendência, realizando o cross-sell ou up-sell e monitorando os KPIs dentre outras atribuições do CS, consequentemente acaba conquistando e fidelizando seus clientes.

“Nós, assim como nossos clientes, precisamos lembrar que trabalhamos para pessoas, que são diversas e têm necessidades diferentes e específicas. Quanto mais nos preparamos para atendê-las, mais as pessoas se aproximarão de nós e do nosso negócio. Elas irão aprender e consumir nossos produtos/serviços, recomendar para pessoas próximas e familiares, promover nossos negócios e, por fim, contribuir com nosso sucesso e o sucesso dos nossos clientes. Vamos trabalhar para que a acessibilidade não seja tratada como um ‘extra’, mas como uma necessidade básica que precisa ser contemplada em todos os negócios e lugares.”, contempla Araujo.

“Estamos comprometidos em desmistificar o atendimento ao cliente, tornando-o acessível a todos. Acreditamos que, ao traduzir termos técnicos e conceitos de Customer Success para Libras, estamos não apenas ampliando o alcance das empresas, mas também empoderando pessoas surdas a se engajar plenamente no mercado. Isso é parte do nosso propósito: criar um ambiente onde todos possam prosperar”, finaliza Tenório.

Sobre a Hand Talk

A Hand Talk é uma empresa que ajuda a quebrar a barreira de comunicação por meio da tecnologia. Há mais de 10 anos no mercado, apresenta duas soluções centrais: o Hand Talk Plugin, solução de acessibilidade para sites de empresas que conta com diversos recursos assistivos, e o Hand Talk App, aplicativo para pessoas interessadas em aprender e traduzir palavras na Língua Brasileira de Sinais (Libras) e Língua de Sinais Americana (ASL). É premiada internacionalmente como Melhor Aplicativo Social pela Organização das Nações Unidas (ONU), Solução mais Inovadora do Mundo pela Gifted Citizen, uma das startups mais inovadoras da América Latina pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e startup mais inovadora do Brasil pelo Rio Info. É pioneira no uso de inteligência artificial para acessibilidade e, em 2020, atingiu a marca de 1 bilhão de palavras traduzidas. Companhias como Chevrolet, Hershey’s, LG, PepsiCo, Sodexo, Samsung e PwC são parte da carteira de clientes da startup. 

Informações para a imprensa:

Thaís Bittencourt | thais.bittencourt@pinepr.com

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